quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

E do resto de 2010, o que será?

Vá lá… É verdade que 2010 já vai caminhando para seus onze meses finais, mas sempre é tempo de fazer umas previsõezinhas despretensiosas.

Sejamos genéricos. 2010 será um ano de surpresas, como aliás todos os anos, tudo bem imprevisível. Quem sabe uma nova “gripe”, talvez uma nova “crise”, por que não uma “crise da gripe” ou uma “gripe da crise”. Se o ano começou com algumas catástrofes de monta, seja em Angra ou no Haiti, nada pode nos dar certeza de que outras não estarão por vir. Mau sinal, mas pura verdade.

O que não é incerto é que 2010 será ano de Copa do Mundo e de eleições presidenciais. Portanto, ano de política e futebol, o que muitas vezes em situações passadas já foi utilizado de forma mesclada, provocando confusões propositadas, em que não se sabia muito bem se a questão era votar ou torcer por um time ou um candidato.

A propósito da política, pela primeira vez depois de vinte anos teremos uma eleição sem um candidato de nome Lula. Parece pouco, mas é uma dado mais relevante do que também não termos um candidato chamado Eneás, que só não vai participar por já ter partido desta para melhor. Outro dado é que, fato também inédito, haverá uma mulher candidata com chances de vitória. Não parece pouco, e não é mesmo.

Do lado dos eleitores, eis que eles também terão mudanças bastante importantes neste ano. Exemplo? Mais ferramentas para medir a força dos candidatos, como os sites, as redes sociais e tudo que derivar e que estiver relacionado com as tais novas mídias, parcialmente liberadas pela legislação brasileira para que os chamados marqueteiros desenvolvam estratégias extremamente especificas para uma determinada ação, para um determinado público. O que se pode prever é algo parecido com a última campanha para a presidência dos Estados Unidos, com a eleição de Barack Obama mobilizando simpatizantes da internet com iniciativas de divulgação e de arrecadação de fundos para a campanha.

Alguns dos nossos partidos já estão correndo atrás dessas tendências e começam a montar suas fórmulas. Probabilíssimos candidatos à presidência, como José Serra e Marina Silva, já tentam seduzir internautas. Para não ficar atrás, o PT de Dilma Rousseff bola e elabora soluções de uma melhor comunicação na grande rede.

Outro tema quente (quentíssimo, aliás) é o do aquecimento global. Aquele mesmo em que se perderam grandes oportunidades na reunião do COP15 em Copenhagen. Mesmo que não tenha sido fechado acordo algum entre as nações, a Conferência ao menos proporcionou o aparecimento de uma opinião pública mais bem posicionada sobre o tema. Espera-se que as conseqüências para 2010 sejam de maior cobrança da população mundial.

E no esporte? 2010 promete para os brazucas… No vôlei, como de hábito, continuaremos fortes; no handball, promessas; no atletismo, o desafio é superar os péssimos resultados do ano passado; na natação, o contrário, a questão é manter os resultados incríveis de 2009; na Fórmula 1, quem sabe o novo Senna?, sobrinho do outro; por fim, no futebol, Copa do Mundo na África do Sul, onde poderíamos ao menos torcer para que nosso pessoal farreie menos um tiquinho, ajeite menos as meias e, de preferência, chute no canto onde o goleiro adversário não estiver. Será uma boa preparação para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 que vêm logo ali.

São eventos que vão movimentar profissionais das mais diversas áreas com equipes de infraestrutura, jornalistas, publicidade e marketing que vão provocar certamente uma época ‘áurea’ para o marketing esportivo. Mas estas são previsões para daqui a mais alguns anos.

domingo, 15 de novembro de 2009

Minha saia justa (e mais curta que a da Gleyce)

Difícil alguém não saber quem é a tal Gleyce a esta altura. Depois de todos os nossos moralistas de plantão terem saído de seus armários, de todos os editorialistas terem dedicado algumas pílulas de sua sabedoria, de todos os leitores de jornais e revistas terem vaticinado sobre liberdades, motivos e intenções, eis que a menina do vestido curto chegou ao topo: está prestes a ser a estrela de uma campanha nacional de lingeries, seus procuradores já estão em contato com alguma revista masculina para - quem sabe? - uma sessão de fotos, e hoje é uma das atrações do Fantástico, da televisão, para mostrar o seu guarda-roupas. Má notícia para as próximas, no entanto: tentem outra tática, pois a mídia não é de se emocionar muito com ideias repetitivas.

Será que é grave, Madonna?

Desde pequeno que me preocupo com uma minha anomalia. Coisa grave, pelo jeito. Nunca, em nenhuma fase da vida, me vi movido a grandes arroubos de idolatria, seja por que fosse. Agora, por estes dias, esteve aqui no Brasil de novo a chata da Madonna, seguindo o mesmo roteiro do chato do Sting, que por dá-cá-aquela-palha por aqui aporta. Nada de mais. O grave é o fato de eu nunca ter sentido a mínima vontade de estar com eles, correr atrás deles, estatelar em portas de hotel, fazer qualquer tipo de micagem pra chamar a atenção deles... O único mau súbito digno de registro de que me lembro, uma recaída, certamente, foi em uma visita do governador do Rio Leonel Brizola a Belo Horizonte, tempos idos já, em que aí sim eu desci até a sede da Câmara de Vereadores, então na rua Tamoios, bela tarde de domingo, e devo dizer que me emocionei de ver aquele sujeito com um lenço vermelho amarrado no pescoço, cortando a multidão, desfilando a sua dignidade histórica entre todos nós. Em outras palavras: vá pra casa, Madonna.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Eu falei, eu falei...

O que será melhor, ou menos pior: acompanhar esta sucessão interminável de escândalos, que inclusive já educaram os brasileiros e o mundo em geral à letargia de "deixar pra lá", já que aqui (qualquer lugar do mundo) "as coisas não tomam jeito mesmo", ou, por outro lado, ter de aguentar o discurso moralista de jornalistas, justiceiros, autoridades e outros bichos que pelo jeito arrumaram um meio de vida em que estabeleceram que sua única utilidade é a de denunciar, alarmar, insinuar e pronto, sem nenhum compromisso com a solução dos problemas... Escolha difícil, viu?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Se vira nos 15 (e depois serão 15 anos de nada)

São milhares as mensagens que este blog recebe, na melhor das hipóteses afirmando sobre uma obsessão persecutória da mídia que ele - o blog - mal consegue disfarçar. Pode ser, mas digam então vocês se não é um ultraje à inteligência alheia o fato de ela - a mídia - ter assumido definitivamente o papel de interlocutora de todos aqueles a quem Andy Wharol certa vez disse que teriam seus quinze minutos de glória. Vá lá que para uns os 15 minutos viram 15 dias, 15 anos, 15 séculos; para outros 15 segundos, 15 milésimos se tanto, mas sempre ela - a mídia - estará lá, ao lado, testemunha ocular das muitas vezes curtíssimas histórias, para dar luzes a personalidades como Jesus Luz, big brothers, small brothers e quem mais for bafejado pela sorte imensa do estrelato mercurial. Deve ser chato dizer isso, mas a mídia não teria de ao menos demonstrar uma preocupação com sua função social, e estimular mais o valor da educação ou de outras bobagens mais duradouras do que simplesmente "se virar nos 15"?

Auauau, eu quero ser vira-lata!

Tinha esquecido de comentar para meus fieis seguidores a escolha do Rio para sede das Olimpíadas de 2016. Estava embriagado de felicidade cívica, de um nacionalismo extremado e extremista que inclusive me fez tentar mobilizar meus sete abnegados para a formação de um Partido Brazista, algo entre brazileiro e nazista, para combater os antipatriotas que até nisso conseguiram enxergar elementos desqualificadores na pessoa do presidente Lula. "Como pode", perguntaram cobertos da razão mais inocente, "Olimpíada em um país com tantas prioridades sociais, saúde, educação, alimentação etc. etc. etc.?" De fato. Por que não continuarmos no nosso eterno lema de esperar que todos estes problemas sejam resolvidos para aí, sim, pleitearmos alguma exibição mais vetusta como essa. Aquela velha máxima do "país do futuro", que esse blog vez ou outra traz à tona: vamos esperar o bolo crescer para dividir entre todos. Enquanto o bolo não cresce, o pessoal do "país do presente" vai se esbaldando, tratando primeiro de resolver as nossas questões sociais. Auauau, pessoal, auauau.

Ah, não, aí é demais, né Lina...

Depois de cansar de tanto pegar no pé do Zé Sarney, que naturalmente é detentor de grandes culpas por aí afora, mas sobre as quais ninguemzinho da silva estava sinceramente interessado, eis que agora a nossa dileta autodenominada representante do quarto poder volta a dar espaço de novo para uma tal agenda de uma tal Lina que, entre lapsos de lembranças e esquecimentos, finalmente reencontrou a prova do crime de ter estado ou não em uma reunião com a ministra Dilma, por acaso candidata do presidente a sucessora. Lá estava, graças aos céus, anotada a mão, num tal dia de um tal mês de um tal ano, a informação de que deveria estar com a tal ministra. Não é brincadeira: dois meses depois do bafafá, uma agenda, uma anotação a mão, e toda a mídia se abre trôfega a dar a devida repercussão ao achado. Alguém deve agradecer.