domingo, 17 de outubro de 2010
Por onde andei que nem eu sei?
Nem havia havido a Copa ainda quando escrevi minha última mensagem deste blog. Nem havia prenúncio do quanto são crentes e tementes a Deus os nossos futuros presidentes. Os mineiros nem haviam caído no buraco. Tanta coisa fundamental para a humanidade que acho que vou voltar eu para o meu buraco. Ou não.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
A mesmíssima mesmice
Taí a Copa pra começar e, como de hábito, duas semanas antes uma horda de jornalistas de todas as partes do mundo arrumam suas malinhas e partem em sua árdua tarefa de fotografar, passear, comprar lembrancinhas, bajular jogadores, técnicos e quem mais aparecer pela frente de câmeras e microfones, isto quando não desandam a entrevistar uns aos outros, em verdadeiros furos ao jornalismo. Só nesta semana, já tivemos a grata experiência de ouvir besteiras do porte de uma pergunta sobre se os goleiros do Brasil são iguais ou se pensam alguma coisa diferente. Já nos arrepiamos com uma moça da Globo que quase teve um troço ao narrar que um dos nossos craques disse que estava lá para ganhar. Já pudemos conhecer o que pensa um barbeiro que corta cabelos atrás de um muro onde está hospedada a seleção. Já nos espantamos com a realidade social africana, onde pessoas vivem nas ruas e em favelas, o que deve ser espantoso para quem, como nós, não estamos acostumados com isso. Só falta agora o Dunga ou um de nossos outros anões sofrer um piripaque como o do Ronaldão naquela outra Copa e não ter um jornalista entre os milhares todos para ao menos investigar o que teria acontecido. Como fazer, se o negócio é só ser sabujo?
Alvíssaras! Perdemos mais uma...
Ufa! Finalmente ontem o Brasil foi derrotado em sua tentativa de meter a colher no problema lá da Pérsia, sobre a qual outro dia foi lançado um filme - O príncipe da Pérsia - que felizmente não tem nada a ver com o Lula. Mas ontem, como dizia, foi um dia de derrotas para o Brasil, segundo palavras de um comentarista de bigode da Globonews. A primeira não há meio de me lembrar, a segunda dizia respeito à goleada na vitória das sanções contra o Irã, impostas pelos Estados Unidos da América do Norte e suas ramificações nos meios de comunicação aqui do Sul. Foi pro beleléu o esforço do Brasil e da Turquia para a assinatura de um acordo com o presidente maluco iraniano, que já deve estar por lá pensando no que fazer para atazanar o que ele chama de "inimigos" americanos. Quanto a nós, pode ser só coincidência, mas a mesma mídia que nunca disse que tinha havido vitória alguma na assinatura do acordo agora exagera em uma suposta "derrota" do Brasil, como se não fosse possível prever o que viria lá dos xerifes do mundo.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Vá ser inferior assim lá no Irã
Vergonha. Se não for isso é próximo do que eu sinto por reconhecer que tivemos - que eu me lembre - de esperar 510 anos para que um sujeito sem instrução, escorado apenas em sua experiência de vida, viesse nos dar o exemplo de que podemos ser mais do que nos forçam a pensar que somos há tanto tempo. Ainda assim, felizmente, a grandissíssima maioria dos nossos grandissíssimos especialistas em dar voltas a qualquer tema que se apresente sem o menor senso prático possível continua sua luta emocionante por nos fazer entender que de fato sempre fomos, somos e seremos inferiores.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Olha, deixe eu dizer o que eu penso...
A psicóloga Rosely Sayão publicou este texto na Folha de 9 de julho de 2009, justo a data do meu aniversário, e só outro dia eu pude ter acesso a ele. Como de hábito, ela trata de questões relacionadas a crianças e adolescentes, mas neste caso não há nada a acrescentar para que caiba também a adultos. Apropriadamente, o texto tem o título Falta de civilidade. É ou não é o que temos vivido nestes nossos novos tempos moderninhos?
Por isso, perdemos totalmente a sensibilidade pelo direito do outro: cada um de nós procura, desesperadamente, seus direitos, sua felicidade, seu poder de consumo, seu prazer, sem reconhecer o outro. E, claro, isso gera intolerância, discriminação, ameaça. O pacto social parece ter sido rompido e não tomamos nenhuma medida para reverter esse processo. As mídias, por exemplo, comentam cenas de incivilidade ocorrida entre pessoas que ocupam posição de destaque.
Virou moda e ganhou visibilidade dizer tudo o que se pensa, agredir para se defender, fazer pouco do outro. Pessoas que ocupam cargos de chefia expressam seu descontentamento com seus funcionários aos berros e assim por diante.
Ao mesmo tempo, crescem entre os mais novos problemas como falta de limites, indisciplina e falta de respeito pelo outro. O fenômeno conhecido por "bullying" -intimidação física ou psicológica- assusta crianças e adolescentes e preocupa pais e professores. Nas escolas do mundo todo, o clima é de "falta de respeito"generalizado, mesmo que essa expressão seja usada de modo impreciso.
Mas o fato é que as crianças e os adolescentes praticam o conceito de cidadania do qual se apropriaram pela observação do mundo adulto. Em uma conversa com crianças que frequentam o ensino fundamental, ouvi relatos que me deixaram muito pensativa.
Um garoto disse que achava que os alunos maiores intimidavam os menores porque a escola e os pais ensinam que se deve respeitar os mais velhos. Veja você: o conceito de mais velho deixou de significar adulto ou velho e passou a ser usado como de mais idade. Assim, revelou o garoto, uma criança de um ou dois anos a mais que a outra se considera um "mais velho" e, assim, pode explorar os de menos idade.
Podemos ampliar esse conceito apreendido pelas crianças e, além da idade, pensar em poder, por exemplo. Isso nos faz pensar que o "bullying" ocorre principalmente, mas não apenas, porque crianças e adolescentes desenvolvem relações assimétricas entre eles, por causa da idade, do tamanho, da força e do poder.
Talvez seja em casa e na escola que pais e professores possam e devam repensar e reinventar o conceito de cidadania.Mas também temos nós, os adultos, o dever de adotar boas maneiras na convivência social. Afinal, praticar boas maneiras e ensinar aos mais novos o mesmo nada mais é do que reconhecer o outro e buscar formas de boa convivência com ele. Disso depende a sobrevivência da vida social porque somos todos interdependentes.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Dunga, papai
Acaba de sair a relação dos filhos do Dunga, também conhecida como seleção. Neste instante, papai dá uma longa entrevista em que repete milhões de vezes uma espécie de neologismo - "com nóis" - para sempre se corrigir mais à frente - "conosco... para não dizerem que não sei falar portuguêis". Modéstia dele: papai pode tudo.
Dá cá a minha bolsa
Não deixa de ser curiosa a situação que vive o mundo, a mesmo tempo parecendo um cassino e uma locomotiva a ritmo de bala. A cada dia, manhã cá, noite onde quer que seja, o que se tem é tamanho frisson, tamanha excitação sobre índices de bolsas, custo de eurodólares ou outro bezerro de ouro a quem devemos todos reverenciar ajoelhados sobre milho transgênico, previsões sobre catedrais capitalistas que vão se estatizando, uma hora os sacrossantos Estados da América, todos unidos contra o resto do mundo desunido, agora a Grécia, para breve Portugal, Espanha, Irlanda, Itália. E a locomotiva? Talvez aquela luz no fim do túnel. Mas vindo em sentido contrário?
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