terça-feira, 20 de outubro de 2009
Eu falei, eu falei...
O que será melhor, ou menos pior: acompanhar esta sucessão interminável de escândalos, que inclusive já educaram os brasileiros e o mundo em geral à letargia de "deixar pra lá", já que aqui (qualquer lugar do mundo) "as coisas não tomam jeito mesmo", ou, por outro lado, ter de aguentar o discurso moralista de jornalistas, justiceiros, autoridades e outros bichos que pelo jeito arrumaram um meio de vida em que estabeleceram que sua única utilidade é a de denunciar, alarmar, insinuar e pronto, sem nenhum compromisso com a solução dos problemas... Escolha difícil, viu?
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Se vira nos 15 (e depois serão 15 anos de nada)
São milhares as mensagens que este blog recebe, na melhor das hipóteses afirmando sobre uma obsessão persecutória da mídia que ele - o blog - mal consegue disfarçar. Pode ser, mas digam então vocês se não é um ultraje à inteligência alheia o fato de ela - a mídia - ter assumido definitivamente o papel de interlocutora de todos aqueles a quem Andy Wharol certa vez disse que teriam seus quinze minutos de glória. Vá lá que para uns os 15 minutos viram 15 dias, 15 anos, 15 séculos; para outros 15 segundos, 15 milésimos se tanto, mas sempre ela - a mídia - estará lá, ao lado, testemunha ocular das muitas vezes curtíssimas histórias, para dar luzes a personalidades como Jesus Luz, big brothers, small brothers e quem mais for bafejado pela sorte imensa do estrelato mercurial. Deve ser chato dizer isso, mas a mídia não teria de ao menos demonstrar uma preocupação com sua função social, e estimular mais o valor da educação ou de outras bobagens mais duradouras do que simplesmente "se virar nos 15"?
Auauau, eu quero ser vira-lata!
Tinha esquecido de comentar para meus fieis seguidores a escolha do Rio para sede das Olimpíadas de 2016. Estava embriagado de felicidade cívica, de um nacionalismo extremado e extremista que inclusive me fez tentar mobilizar meus sete abnegados para a formação de um Partido Brazista, algo entre brazileiro e nazista, para combater os antipatriotas que até nisso conseguiram enxergar elementos desqualificadores na pessoa do presidente Lula. "Como pode", perguntaram cobertos da razão mais inocente, "Olimpíada em um país com tantas prioridades sociais, saúde, educação, alimentação etc. etc. etc.?" De fato. Por que não continuarmos no nosso eterno lema de esperar que todos estes problemas sejam resolvidos para aí, sim, pleitearmos alguma exibição mais vetusta como essa. Aquela velha máxima do "país do futuro", que esse blog vez ou outra traz à tona: vamos esperar o bolo crescer para dividir entre todos. Enquanto o bolo não cresce, o pessoal do "país do presente" vai se esbaldando, tratando primeiro de resolver as nossas questões sociais. Auauau, pessoal, auauau.
Ah, não, aí é demais, né Lina...
Depois de cansar de tanto pegar no pé do Zé Sarney, que naturalmente é detentor de grandes culpas por aí afora, mas sobre as quais ninguemzinho da silva estava sinceramente interessado, eis que agora a nossa dileta autodenominada representante do quarto poder volta a dar espaço de novo para uma tal agenda de uma tal Lina que, entre lapsos de lembranças e esquecimentos, finalmente reencontrou a prova do crime de ter estado ou não em uma reunião com a ministra Dilma, por acaso candidata do presidente a sucessora. Lá estava, graças aos céus, anotada a mão, num tal dia de um tal mês de um tal ano, a informação de que deveria estar com a tal ministra. Não é brincadeira: dois meses depois do bafafá, uma agenda, uma anotação a mão, e toda a mídia se abre trôfega a dar a devida repercussão ao achado. Alguém deve agradecer.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Quem é mesmo o burro?
Quatro meninos foram ao campo e, por 100 reais, compraram o burro de um velho camponês. O homem combinou entregar-lhes o animal no dia seguinte. Mas quando voltaram para levar o burro, o camponês lhes disse: - Sinto muito, mas tenho uma má notícia. O burro morreu.
- Então devolva o dinheiro!
- Não posso, já gastei todo.
- De qualquer forma, queremos o burro.
- Para quê?
- Fazer uma rifa
- Estão loucos? Rifar um burro morto?
Um mês depois, o camponês se encontra novamente com os quatro e lhes pergunta: - E então, o que aconteceu com o burro?
- Como dissemos, rifamos. Vendemos 500 números a 2 reais cada um e arrecadamos 1.000 reais.
- E ninguém se queixou?
- Só o ganhador. Aí lhe devolvemos os 2 reais e ficou tudo resolvido.
Os quatro meninos cresceram e fundaram um banco chamado Opportunity, um outro o Banco Marka, o outro uma igreja de nome Universal e o último virou Ministro do Supremo Tribunal Federal.
- Então devolva o dinheiro!
- Não posso, já gastei todo.
- De qualquer forma, queremos o burro.
- Para quê?
- Fazer uma rifa
- Estão loucos? Rifar um burro morto?
Um mês depois, o camponês se encontra novamente com os quatro e lhes pergunta: - E então, o que aconteceu com o burro?
- Como dissemos, rifamos. Vendemos 500 números a 2 reais cada um e arrecadamos 1.000 reais.
- E ninguém se queixou?
- Só o ganhador. Aí lhe devolvemos os 2 reais e ficou tudo resolvido.
Os quatro meninos cresceram e fundaram um banco chamado Opportunity, um outro o Banco Marka, o outro uma igreja de nome Universal e o último virou Ministro do Supremo Tribunal Federal.
sábado, 22 de agosto de 2009
Não, não, não digo não.
Depois não digam que este blog não avisou. São incontáveis os indignados e indignadas com a renúncia à renúncia do Aloísio Mercadante, senador por São Paulo, mas ao mesmo tempo são muitos, mas muitos os que dizem não acreditar em mais nada na política. Exceto, vejam bem, exceto em quem? José Alencar, que vem a ser o vice-presidente, salvo pela sua luta terrível contra o câncer. Não há coração de brasileiro médio que não amoleça frente a um câncer. Vejam uma nota passada: "Escolha o seu câncer". Com ela, ao menos o bigodudo Mercadante tem a chance de anunciar que descobriu que também está com um cancerzinho incipiente. Ou então será o caso de esperar pelo seu próprio derretimento público, torcendo para que o Lula não lhe peça coisas mais íntimas para as quais ele também não conseguirá dizer não.
A propósito desta patacada do senador, deem uma lida no que um articulista da Folha publicou lá hoje, sob o título Mais irrevogável que um beijo no asfalto. Marco Chiaretti desmonta uma meio verdade que vem pairando sobre todos nós desde a vitória de Obama, creditada quase que totalmente ao bom uso estratégico das novas mídias. Leiam, reflitam, digam não:
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) é aquele homem público que parece sempre querer destacar em suas atitudes e falas uma aura de (quase) juventude e modernidade. É o tipo do político que prestou muita atenção no sucesso da campanha de Barack Obama na eleição norte-americana do ano passado, e no uso que os encarregados da comunicação obamista fizeram das chamadas redes sociais.(No caso de Obama, aliás, caberia prestar atenção nos números das pesquisas pré-eleitorais: é fato que os democratas deram um banho nos republicanos no uso da web, principalmente nos quesitos arrecadação e mobilização em campanha, mas também é fato que ele foi eleito por causa da crise, principalmente. A rede ajudou, mas uma rede sozinha faz pouco -a Presidência dos EUA usa as ferramentas de web 2.0 para divulgar as teses de governo, mas agora o sucesso não é tão notável, se é que existe.)Mercadante tem site, página no Facebook, no Twitter e no Orkut, álbum de fotos no Flickr e de vídeos no YouTube e deve ter mais páginas em outros portais e redes sociais que não conheço. Ele "está em rede". Há nisso uma busca constante pela aproximação com o público, o jovem em particular. Um político moderno e "progressista" falando aos jovens.O problema é que essas ferramentas "em rede" são de uma crueldade abissal, definitiva. Uma coisa é "falar", outra muito diferente é "escrever". E o Twitter é uma mídia onde se costuma escrever com a "leviandade", digamos, do discurso oral. É assim que funciona. "Verba volant", diziam os antigos, mas "scripta manent". No Twitter elas voam como passarinho e vão pousar em tudo quanto é galho. E lá ficam. Quantas vezes Mercadante disse que renunciaria ao cargo de líder do seu partido e depois desdisse o que havia dito? Pelo que leio, três vezes. E daí? Daí, nada, que na cena política essa questão de pedirem para esquecer (e esquecerem) é bastante comum. Só que agora ficou registrado na pedra: "Eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável", escreveu o senador. Irrevogável. E transmissível, como um vírus, de tela a tela.
A propósito desta patacada do senador, deem uma lida no que um articulista da Folha publicou lá hoje, sob o título Mais irrevogável que um beijo no asfalto. Marco Chiaretti desmonta uma meio verdade que vem pairando sobre todos nós desde a vitória de Obama, creditada quase que totalmente ao bom uso estratégico das novas mídias. Leiam, reflitam, digam não:
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) é aquele homem público que parece sempre querer destacar em suas atitudes e falas uma aura de (quase) juventude e modernidade. É o tipo do político que prestou muita atenção no sucesso da campanha de Barack Obama na eleição norte-americana do ano passado, e no uso que os encarregados da comunicação obamista fizeram das chamadas redes sociais.(No caso de Obama, aliás, caberia prestar atenção nos números das pesquisas pré-eleitorais: é fato que os democratas deram um banho nos republicanos no uso da web, principalmente nos quesitos arrecadação e mobilização em campanha, mas também é fato que ele foi eleito por causa da crise, principalmente. A rede ajudou, mas uma rede sozinha faz pouco -a Presidência dos EUA usa as ferramentas de web 2.0 para divulgar as teses de governo, mas agora o sucesso não é tão notável, se é que existe.)Mercadante tem site, página no Facebook, no Twitter e no Orkut, álbum de fotos no Flickr e de vídeos no YouTube e deve ter mais páginas em outros portais e redes sociais que não conheço. Ele "está em rede". Há nisso uma busca constante pela aproximação com o público, o jovem em particular. Um político moderno e "progressista" falando aos jovens.O problema é que essas ferramentas "em rede" são de uma crueldade abissal, definitiva. Uma coisa é "falar", outra muito diferente é "escrever". E o Twitter é uma mídia onde se costuma escrever com a "leviandade", digamos, do discurso oral. É assim que funciona. "Verba volant", diziam os antigos, mas "scripta manent". No Twitter elas voam como passarinho e vão pousar em tudo quanto é galho. E lá ficam. Quantas vezes Mercadante disse que renunciaria ao cargo de líder do seu partido e depois desdisse o que havia dito? Pelo que leio, três vezes. E daí? Daí, nada, que na cena política essa questão de pedirem para esquecer (e esquecerem) é bastante comum. Só que agora ficou registrado na pedra: "Eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável", escreveu o senador. Irrevogável. E transmissível, como um vírus, de tela a tela.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Não chore, Isinbayeva...
De cortar o coração o sentimento do brasileiro médio. Outro dia desses, por causa do campeonato mundial de atletismo que vai acontecendo na Alemanha, eis que a recordista do salto com vara, a russinha Yelena Isinbayeva, derreteu dois bravos jornalistas. Juca Kfouri, o queridinho de dez entre dez de nossas figuras públicas e privadas, não resistiu e fez uma comparação da atleta com o seu amigo Pelé, ambos ícones esportivos e que, mesmo depois de derrotas, tiveram (como ela terá) forças para voltar a ganhar. Quando isso acontecer, a Rússia virá de joelhos nos agradecer. Do outro jornalista, repórter da TV Globo, não sei o nome, mas foi tão ou mais tocante, ao final da sua matéria, pedir a Yelena que não chorasse mais, pois "seus olhos são tão bonitos..." De pensar o que um e outro diriam à Daiane dos Santos, depois de um duplo twist carpado.
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